A dimensão do Brasil

Viajar pelo nosso país sempre me lembra o quão grandioso ele é. A distância de onde estou até o Norte, a logística e os diferentes deslocamentos necessários estampam a dimensão do Brasil.

Provar novos sabores me lembrou da nossa diversidade. Encontrar pessoas com feições indígenas me relembrou nossas origens e a mistura que compõe o nosso povo.

Chegada a Manaus

Chegar a Manaus, vindo do Sudeste, é uma viagem longa. E, ao avistar o encontro das águas, foi impossível não lembrar dos livros da escola. Aquela imagem que a gente descreve, mas nunca viu de fato, ganha finalmente forma. Por que eles não se misturam? Você lembra? Eu mesma não lembrava…

Naturalmente surgiram perguntas: onde ele nasce e onde exatamente acontece a pororoca? Para onde seguem esses rios? É curioso como paisagens assim despertam a curiosidade das crianças e também dos adultos. Elas respondem animadas e, quase sem perceber, plantamos sementes para que queiram conhecer melhor o nosso país.

História e sabores da cidade

Manaus é uma cidade interessante. Carrega as marcas do apogeu e da queda do ciclo da borracha e preserva edifícios históricos que valem a visita. Sempre acho que os centros das nossas cidades e seus mercados, mesmo que muitas vezes mal cuidados, valem a visita. Eles dizem muito sobre onde estamos.

A comida também se apresenta diferente. Peixes de água doce, a banana-da-terra presente em quase tudo, para minha sorte, e sucos de frutas que eu jamais havia provado fizeram parte dessa descoberta de sabores.

O caminho até a floresta

O caminho de Manaus até a floresta é longo. Tem estrada, barco, estrada novamente e depois mais barco até chegar ao hotel na floresta.

Navegamos o Solimões, passamos pelo encontro das águas com o Rio Negro e seguimos até alcançar o Rio Juma, onde a água escura reflete o céu como um espelho.

O percurso é longo e bonito. O barulho do motor do barco me causa algum desconforto, mas coloco meus fones de ouvido e junto a calmaria das minhas músicas com a beleza do entorno. Que combinação perfeita!

A imensidão da natureza

A imensidão da floresta e a abundância das águas encantam, surpreendem e emocionam.

Existe calor, existem buracos na estrada, falta de banheiros e chuva no meio do caminho. Mas tudo se torna pequeno diante da vastidão da natureza.

A natureza desacelera.

De propósito, e com propósito, a internet estava disponível apenas na recepção do hotel. E que presente esse pequeno detalhe!

Comunidades e modos de vida

Dos passeios de canoa carrego a lembrança das comunidades ribeirinhas. Suas casas simples, de madeira, ora flutuantes, ora feitas em palafitas, mostram uma vida que segue outro ritmo.

De uma visita a uma escola indígena, levo comigo a imagem dos professores e da coordenadora pintando o pequeno espaço num domingo de manhã. Um gesto que fala muito sobre comunidade.

Entre os moradores locais, os ribeirinhos, observei algo que me marcou: em pouquíssimos lugares vi lixo. Talvez tenha sido sorte, não sei dizer. Vi tanto e tão pouco da Amazônia que só me resta esperar que essa seja a regra…

Vimos moradores cuidando de tartarugas em suas casas como parte de projetos de preservação. Compramos cosméticos naturais, visitamos uma casa de farinha e vimos modos de vida que parecem existir em outra relação com o tempo.

O tempo da floresta

Vimos poucos animais, mas uma imensidão de verde e de água.

Água, muita água.

E uma sensação curiosa de que o tempo havia parado para nós.

Às 10h da manhã já tínhamos visto muito e ainda havia tanto do dia para viver.

É como se o tempo na floresta desacelerasse e, com isso, tivéssemos a chance de nos reorganizar por dentro.

A floresta nos lembra de algo simples, mas fácil de esquecer: existem ritmos menos acelerados, diferentes daqueles a que estamos acostumados.

Ali, entre rios que seguem seu curso e bichos que não fazem questão de aparecer, percebemos que nem tudo precisa acontecer com pressa.

Talvez esse seja um dos maiores presentes de uma viagem assim.

O que levamos de volta

Voltar para casa levando não apenas as imagens da floresta, mas também a lembrança desse outro ritmo e a possibilidade de, sempre que necessário, tentar reencontrá-lo dentro de mim.