Antártica:
17 Dias Gelados e Imprevisíveis


17 dias a bordo de um navio minúsculo. Um quebra-gelo.

"O que você vai fazer na Antártica?"
Essa foi a pergunta que mais ouvi antes de embarcar.

Minha resposta?
Experimentar algo fora do óbvio. Conhecer o continente branco. Viver uma jornada sem roteiro fixo.

Viajar até o Polo Sul é aceitar o imprevisível. O tempo dita as regras. Uma expedição de zodíaco confirmada para a manhã seguinte? Pode ser cancelada na noite anterior. Aqui, planejamento é só uma referência.

É explorar o intocado.
Testemunhar a vida selvagem de perto.
Um paraíso para amantes da fotografia.

Ainda no porto, olhando para aquele navio minúsculo, pensei: “Isso vai balançar muito.”
E quando vi mesas e cadeiras no restaurante presas ao chão com correntes, tive certeza.

Primeiras Paradas: Falklands e Geórgia do Sul

A viagem começou bem. New Island, nas Ilhas Falklands, foi nossa primeira parada. Uma ilha colonizada por baleeiros no século XVIII. Lá, vimos os primeiros navios abandonados, os primeiros rockhoppers – os pinguins de topete amarelo – e nossos primeiros albatrozes. O céu azul e a luz perfeita fizeram tudo parecer um cenário cinematográfico.

Seguimos para Stanley, a capital das Falklands – uma cidadezinha britânica no meio da América do Sul. De lá, mandei um cartão postal para um amigo… que demorou seis meses para chegar!

Depois, seguimos para Geórgia do Sul, onde conhecemos antigas estações baleeiras e a incrível história de Ernest Shackleton.


A Lendária Expedição de Shackleton

O explorador britânico Ernest Shackleton liderou expedições à Antártica. Em uma delas, seu navio Endurance ficou preso no gelo na Ilha Elefante. Para buscar ajuda, ele partiu com cinco companheiros em um pequeno bote. Após semanas no mar, chegou à costa e, com dois tripulantes, caminhou 35 km por montanhas geladas até a estação baleeira de Stromness, onde conseguiu resgate.

E os 22 tripulantes que ficaram para trás? Todos foram salvos.

Shackleton faleceu em outra expedição e foi enterrado na Geórgia do Sul. Se quiser mergulhar nessa história, recomendo o livro "Endurance: A Lendária Expedição de Shackleton à Antártica" e as fotos de Frank Hurley – as imagens do navio preso no gelo são impressionantes.

Refizemos parte desse percurso: a trilha de Fortuna Bay até Stromness, cruzando montanhas íngremes e paisagens indescritíveis.


O Momento Mais Mágico: A Chegada à Antártica

Cruzamos o Lemaire Channel para chegar à Península Antártica. Subimos para a frente do navio e vimos o casco quebrando o gelo, desviando de icebergs colossais.

Foi ali que senti, de verdade, o que é o intocado.
Nada além do azul e branco infinito.
Nenhum som além do vento, da quebra do gelo e da água se movendo quando uma foca ou pinguim surgia.

Fascinante. Inesquecível.

Durante 17 dias, fomos inundados de conhecimento sobre a vida marinha, curiosidades da Antártica e pesquisas científicas no continente. Conhecemos pessoas incríveis, que tornaram tudo ainda mais especial.

Sem internet (a conexão era mínima e péssima), nos conectamos de verdade com o que estávamos vivendo. E como isso faz diferença.

Entre um Dramin e outro, vestir a parka e ir para o deque admirar a imensidão azul e branca se tornou um ritual.

A Antártica é pura.
Silenciosa.
Em paz.

Uma viagem inesquecível.


Você Encara a Temida Passagem de Drake?

Escrevendo isso, percebi que nem mencionei a Passagem de Drake – o trecho de mar mais turbulento do mundo. Meu maior medo antes de embarcar.

Pesquise sobre ela e me diga: você encararia esse desafio para viver algo assim extraordinário?