Da primeira vez que vim ao Camboja, o que guardo na memória é um aeroporto acanhado, estradas de terra batida e vias estreitas que nos levaram até o hotel em Siem Reap. Tudo era meio empoeirado.

As visitas aos templos foram inesquecíveis. Guiados por pessoas genuinamente entusiasmadas, cada espaço revelava sua história. Lembro também de uma loja de seda com produtos lindos.

Já Phnom Penh foi, para mim, pesada. Conhecer de perto uma história tão recente e tão sangrenta, visitar os Killing Fields, foi mais do que eu imaginava conseguir suportar. O clima do lugar é denso, marcado pela dor e pelo sofrimento. Saí de lá sem o desejo de voltar.

Desta vez, retornamos ao Camboja com os meninos.

Apesar de acreditar que ensinar sobre a guerra ensina muito sobre o valor e o cultivo da paz, cortamos Phnom Penh do itinerário. As imagens internas de uma prisão que visitamos, e que ainda continha marcas de sangue nas paredes, estavam vivas em minha memória.

Dessa forma, seguimos direto para Siem Reap. Fomos recebidos por um cenário completamente diferente: estradas largas e asfaltadas, um centro organizado, limpo, mais estruturado. O país seguiu em frente. E isso se vê claramente.

Tivemos a sorte de encontrar dois guias especiais. Um com olhar atento para a fotografia. Outro apaixonado por contar histórias. Pessoas que se envolvem. Que sabem perceber o ritmo de quem está ali.

O ponto alto, para mim, foi iniciar a visita aos templos ao entardecer, de bicicleta com os meninos, no dia em que chegamos. Fizemos o check-in e já saímos para o passeio. O sol se pondo no céu cor de pêssego foi um espetáculo à parte. Um daqueles momentos que ficam na memória. As construções, tão ricas e detalhadas, impressionam qualquer idade. É impossível não se maravilhar.

Não sei exatamente quanto meus filhos vão se lembrar de cada nome, de cada data ou dinastia. Mas sei que algo ficará. O tamanho, a beleza, a sensação de caminhar por um lugar tão rico, ouvindo explicações entusiasmadas dos guias. A experiência de estar ali permanece, mesmo quando reclamam: “mainha, você tem cada ideia!”. Como no dia em que marquei uma bênção e tivemos que vestir um sarong e tomar um “banho” frio de cuia dado por um monge em um mosteiro.

Os questionamentos que surgem, as reflexões que acontecem e as respostas que cada um encontra nesses momentos ficam.

Voltar ao Camboja foi perceber um lugar que cresceu e segue se transformando. Assim como a gente. E entender que revisitar um país não é repetir uma viagem, mas criar novas camadas de memória sobre a anterior.

Talvez seja isso que mais me encante em voltar a certos destinos: perceber que o mundo segue em movimento e que o nosso olhar, quando amadurece, aprende a ver com mais clareza as mudanças que a vida apresenta, no lugar e em mim.

Em Siem Riep recomendo o Amansara que tem um serviço impecável, atenção e carinho com as crianças @amansara
Também conhecemos um fotógrafo cambojano que captou as melhores imagens da nossa visita a Angkor Wat @samnang_photographer)