Marrocos: A Viagem Que
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Viajar me mantém curiosa. Me lembra que nunca vi tudo, que sempre há algo novo para aprender, sentir e descobrir. Mas algumas viagens fazem mais do que isso: elas transformam quem somos e como enxergamos o mundo.
A Primeira Viagem que Me Tirou da Zona de Conforto
Eu tinha 20 e poucos anos e estava na faculdade quando pisei no Marrocos pela primeira vez com a minha mãe. Era meu primeiro destino verdadeiramente "diferente", um choque cultural que me ensinou muito além do que qualquer livro poderia.
Logo na chegada, senti a ausência dos sinos das igrejas, som familiar depois de dois anos morando na Itália. No lugar deles, a voz dos muezzins ecoava pelos alto-falantes, chamando para a reza. Era um mundo novo, completamente diferente do que eu conhecia.
Explorar os souks — com suas cores vibrantes, cheiros intensos e vozes misturadas — foi uma experiência que aguçou todos os meus sentidos. Eu estava fascinada. E, ao mesmo tempo, um pouco perdida. Mas foi ali, no meio do desconhecido, que percebi o quanto viajar me fazia crescer.
20 Anos Depois: Retornando com Meus Filhos
Com o tempo, percebi que viajar não era apenas uma paixão, mas um valor que queria passar adiante. Quando meus filhos nasceram, tive certeza: nutrir a curiosidade pelo mundo e pelas experiências seria um dos melhores presentes que eu poderia dar a eles.
Duas décadas depois daquela primeira viagem ao Marrocos, voltei. Dessa vez, não como alguém em busca do novo, mas como alguém que queria apresentar esse mundo vibrante aos meus filhos.
Nada poderia substituir a experiência de vê-los explorando Marrakesh com os próprios olhos. Eles ofereceram água aos macacos no mercado, observaram encantadores de cobras sem medo ou preconceito e se maravilharam com os detalhes dos tecidos e joias bérberes. Nenhum livro ou documentário poderia ensinar o que eles viveram ali.
O Encanto do Jardin Majorelle e a Cultura Bérbere
Um dos lugares que mais me marcou nessa segunda visita foi o Jardin Majorelle e o Museu Pierre Bergé de Arte Bérbere. No coração de Marrakesh, esse refúgio silencioso abriga uma das coleções mais impressionantes do povo bérbere, o mais antigo do Norte da África.
Passei um bom tempo na sala escura do museu, onde a luz das vitrines iluminava os detalhes das roupas e joias. Cada adorno contava uma história, revelando a identidade tribal e o status social das mulheres bérberes. Meus filhos também ficaram hipnotizados. Ver o brilho nos olhos deles me fez ter certeza: algumas coisas só podem ser ensinadas pela vivência.
O Que Aprendi com Essa Viagem
No final de cada viagem, volto com novas percepções, mais crescimento e uma vontade ainda maior de continuar explorando o mundo. O Marrocos foi um divisor de águas para mim — duas vezes. Primeiro, quando me mostrou como viajar pode expandir nossos horizontes. Depois, quando me fez perceber o impacto disso na próxima geração.
E você, já teve um destino que transformou sua forma de ver o mundo?