Tradição em movimento: juventude, imagem e o Ano Novo Lunar no Vietnã
Caminhar pelas ruas do Vietnã nas semanas que antecedem o Ano Novo Lunar é testemunhar algo especial. Jovens vestidas com roupas tradicionais, flores por todos os lados, poses cuidadosamente pensadas e muitas fotografias feitas ao ar livre. À primeira vista, poderia parecer apenas mais um reflexo das redes sociais. Mas, conversando com nossa guia, fica claro que o que acontece é bem mais profundo.
O Tết, como é chamado o Ano Novo Lunar no Vietnã, é o momento mais importante do ano. Mais do que uma virada de calendário, ele marca um recomeço simbólico. É tempo de limpar a casa, visitar a família, honrar os antepassados e se preparar para um novo ciclo. Nesse contexto, o corpo, a roupa e a imagem ganham um papel central. Tudo comunica intenção, respeito e expectativa.
O uso do áo dài, a vestimenta tradicional vietnamita, é também nostalgico. Para essa geração jovem, vestir-se assim durante o Tết é uma forma de afirmar pertencimento: honrar o passado.
As ruas, os templos, os lagos e os bairros antigos tornam-se cenário porque carregam memória. Fotografar nesses espaços é uma maneira de dizer “eu estive aqui”, “eu faço parte disso”. A cidade não é cenário de uma exibição vazia, faz parte da construção de identidade.
As redes sociais entram como meio. Para muitos jovens vietnamitas, essas imagens funcionam como um arquivo pessoal, quase um ritual que se repete ano após ano. Cada fotografia registra além da roupa bonita, registra um momento de transição, de expectativa e de renovação.
O que se vê, portanto, não é uma tradição congelada nem um costume esvaziado. É a tradição em movimento.
No Vietnã, o Ano Novo Lunar é vivo. E talvez seja isso que torne essas cenas tão potentes: jovens que, mesmo em um mundo acelerado, escolhem parar, vestir sua história e registrá-la.
Estivemos no Vietnã há cerca de dez anos e, sem saber, chegamos a Ho Chi Minh justamente no dia do Tết. A cidade estava em festa! Comprei um áo dài, saímos pelas ruas e assistimos a desfiles coloridos, com dragões em movimento atravessando a cidade. Foi inesquecível.
Desta vez, chegamos um pouco antes da data, mas o movimento já era visível. Uma profusão de flores ocupavam as calçadas, vitrines super decoradas... e a cidade que se preparava, mais uma vez, para esse momento tão simbólico para o povo vietnamita.
Desta passagem pelo Vietnã, levo a lembrança de um país que cresce pelo trabalho, de uma guia calorosa e animada, de um musical na Ópera de Hanoi que encantou nossos pequenos no início da noite, mesmo com o corpo ainda se ajustando ao fuso.
Levo o encantamento por Ninh Binh, a Halong Bay em terra, onde a passagem foi rápida, mas memorável, e o nosso passeio tranquilo pelo rio em barquinhos a remo.
Levo também o sabor da comida, um encontro entre a delicadeza francesa e o calor da pimenta, para mim uma das culinárias mais deliciosas do Sudeste Asiático.
